Simpósio sobre Autismo traz relatos emocionantes e experiência imersiva para conscientização
Na tarde de quarta-feira (2), o auditório do Serviço Nacional do Comércio (Senac) foi palco do Simpósio de Conscientização ao Autismo, um evento que ampliou o diálogo sobre inclusão, desafios e direitos das pessoas autistas. A programação contou com a presença de especialistas, autoridades e pessoas que vivem o autismo de forma direta, compartilhando experiências e reflexões sobre a condição.
Experiência imersiva impacta participantes
Antes mesmo das palestras, os participantes foram convidados a vivenciar um experimento sensorial. Voluntários colocaram fones de ouvido que reproduziam sons intensos e sobrepostos, usaram vendas nos olhos e tocaram diferentes. O objetivo era proporcionar uma pequena amostra das dificuldades enfrentadas por pessoas autistas. “Isso é apenas 5% da sobrecarga sensorial que meu filho vive diariamente”, explicou Thassia Martins, psicopedagoga e presidente da Associação Amigos da Inclusão. Muitos participantes relataram desconforto e refletiram sobre a importância de ambientes mais inclusivos.



Relatos que inspiram e conscientizam
O vereador Hallesson Stieglitz, pai de um menino autista de cinco anos, compartilhou sua vivência familiar. “Imagina toda essa hiperestimulação, tanto de áudio quanto sensorial. Bernardo tem hipersensibilidade no corpo, etiquetas de roupa incomodam, cortar o cabelo é difícil. Lugares com muito estímulo podem ser um grande desafio”, relatou.

Thassia Martins também relembrou o impacto do diagnóstico do filho: “Para mim, foi como se o meu mundo tivesse acabado. Até um ano e meio, Bernardo estava dentro dos marcos do desenvolvimento. Depois, parou de falar, não queria pessoas por perto. Durante a pandemia, chorava muito quando alguém vinha em nossa casa. Foi quando percebemos que havia algo diferente”. Thassia também destacou a importância de bons educadores, profissionais que tenham amor e respeito, principalmente na fase de receber o diagnóstico.

Capacitismo e resistência – A trajetória de um autista que venceu a exclusão acadêmica.
Entre os palestrantes estava Vinícius Bispo, autista de 26 anos, graduado em letras-português e pós-graduado em educação inclusiva pela UNESPAR. Ele compartilhou sua trajetória acadêmica e profissional, destacando os desafios enfrentados e a importância do apoio adequado. “Demorei para falar, até os sete anos era autista não-verbal. Me alfabetizei bem apenas com 12 anos”, contou.

Vínicius também relatou que passou por momentos desagradáveis durante a fase escolar, inclusive sofreu bullyng de alunos e até mesmo professores.
Políticas públicas e apoio às famílias
A secretária de Inclusão, Isabelle Dias, reforçou o compromisso da gestão pública com a causa. “A Secretaria está de portas abertas para acolher, orientar e construir soluções juntos. Queremos ouvir as famílias, entender suas demandas e trabalhar para tornar Paranaguá uma cidade mais inclusiva”, afirmou. Ela também incentivou as famílias a procurarem informações sobre seus direitos e destacou que a inclusão depende do envolvimento de toda a sociedade.

Autismo e inclusão: um compromisso de todos
O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, interação social e comportamento. A sobrecarga sensorial mencionada pelos palestrantes é uma das dificuldades mais comuns, tornando atividades cotidianas desafiadoras para muitas pessoas autistas. Eventos como o Simpósio de Conscientização ao Autismo são fundamentais para ampliar a discussão sobre o tema e incentivar iniciativas que promovam mais acessibilidade e qualidade de vida para pessoas autistas e suas famílias.
Como destacou Vinícius Bispo: “Cada passo é um desafio, mas também é aprendizado”.
